​PC investiga grampos ilegais em 2018 em MT

Gazeta Digital em 03/12/2019 às 15:16. Lida 338 vezes.


A força-tarefa da Polícia Civil que investiga o esquema de interceptações telefônicas clandestinas no âmbito da Casa Militar de Mato Grosso, mais conhecida como grampolândia pantaneira, apura possível continuidade do crime de arapongagem em 2018. Isso porque denúncias apontam que a maleta adquirida para serviços de inteligência pela extinta Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), que tinha o coronel Airton Siqueira como titular da pasta, também era utilizada para interceptações telefônicas.

A maleta de tecnologia israelense foi comprada por R$ 2,5 milhões sem licitação pela gestão de Pedro Taques (PSDB). Ela foi adquirida após uma viagem técnica do ex-secretário de Segurança Pública (Sesp), Gustavo Garcia Francisco e Airton Siqueira.

De acordo com o contrato firmado na época, o equipamento comprado sem processo de licitação era um “equipamento tático de revista eletrônica (varredura) GMS, 3G e 4G para utilização em ambientes prisionais, cujas características e especificações técnicas são as contidas no termo de referência, parte integrante do processo”, diz trecho do contrato assinado em agosto de 2017. Na época, o Estado alegou que o equipamento seria instalado nos presídios de Mato Grosso para bloquear ligações das unidades penitenciárias do Estado.

Porém, a especificação do aparelho nunca foi revelada. A reportagem apurou que a maleta também é utilizada para interceptar telefonemas.

No entanto, ela precisa estar próxima do local que pretende grampear as ligações. A maleta para fins de inteligência foi comprada no auge da grampolândia, quando as investigações já tinham afastado o delegado Rogers Jarbas da função de secretário.

A denúncia encaminhada à força-tarefa, afirma que a maleta também teria sido usada para outros fins, inclusive com a suspeita de ter sido usada durante o período eleitoral do ano passado. A empresa contratada foi a Suntech S.A, oriunda de Florianópolis (SC).

Procurado pela reportagem, o assessor jurídico Lucas Paranhes afirmou que não poderia informar as funções da maleta por questão de sigilo de tecnologia. Hoje a maleta é utilizada nos presídios pelo serviço de inteligência da segurança pública do Estado.

Ela consegue interceptar ligações do local em que ela está em funcionamento. No dia 11 de maio de 2017, após ser procurado pelo repórter do programa Fantástico, da Rede Globo, para falar sobre esquema de interceptações telefônicas que estava sendo apurado pela PGR, Pedro Taques decide demitir o primo, Paulo Taques, para que ele fizesse a sua defesa no caso. Três dias depois (14 de maio) a reportagem vai ao ar revelando que a Polícia Militar de Mato Grosso ‘grampeou’ de maneira irregular uma lista de pessoas não investigadas por crimes.

A matéria destacou como vítimas a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o advogado José do Patrocínio e o jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca. Eles seriam apenas alguns dos “monitorados”.

A defesa do coronel Airton Siqueira não foi localizada para falar sobre o assunto. A reportagem procurou a força-tarefa para comentar a nova frente de investigações. Porém, até o fechamento desta edição, não conseguimos contatos com as delegadas responsáveis.

Folha Max

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