​Calendário do futebol brasileiro pune quem investe no time

Diário de Cuiabá em 24/10/2019 às 10:36. Lida 123 vezes.

Os clubes que contam com mais astros em seus elencos serão os mais prejudicados pelo calendário de 2020 divulgado pela CBF na semana passada. Quem for convocado para a seleção brasileira desfalcará o time em datas cruciais de Brasileiro , Copa do Brasil e Libertadores.


A última convocação causou indignação no Flamengo, que teve Rodrigo Caio e Gabigol chamados. Os jogos em Cingapura são considerados irrelevantes enquanto o time disputa o título de Brasileirão e Libertadores. A diretoria também critica ter perdido Bruno Henrique, que jogou só 23 minutos na última convocação.

O desgaste com os clubes é sentido pelo técnico Tite. “Quando a seleção joga, não tinha que ter jogo de time. Faço as convocações com pesar”, admitiu.

Na Argentina, o técnico Lionel Scaloni, talvez por excesso de zelo, não chamou atletas de Boca e River (que se enfrentam pela semifinal da Libertadores, no dia 22 para os amistosos da seleção. Lá, o calendário para nas datas Fifa.

Por aqui, a pauta está longe de unir os clubes, já que poucos são ameaçados pelo calendário. Em reunião na Federação Paulista de Futebol, que definiu o Estadual-2020, muitos foram contrários à diminuição das datas do torneio. Afinal, para quem não tem convocados, a paralisação significa menos receitas. Estes problemas afetam sobretudo clubes que investem em jogadores de nível de seleção.

“Sou defensor do campeonato regional. A diminuição do número de clubes diminui a captação de atletas”, opina Alexandre Campello, presidente do Vasco.

Para 2020, o problema se agrava. Os clubes são obrigados a ceder seus atletas para a Copa América, o que implica em desfalques por até dez rodadas do Brasileiro. A Olimpíada de Tóquio, por sua vez, não chega a ser empecilho: como não é torneio oficial, os times podem não liberar seus jogadores.

“O Brasileirão perde pontos, já que assistir ao torneio inclui acompanhar atletas conhecidos, que desfalcam os times quando estão na seleção”, diz César Grafietti, consultor em finanças e gestão do esporte.

PROBLEMAS - Há um problema adicional: embora a CBF tenha se programado para que jogos em datas Fifa não coincidam com partidas dos clubes, há duelos quase encavalados. A solução encontrada pela entidade foi postergar jogos dos times que cederem atletas para até dois dias depois das partidas do Brasil, o que não diminui o desgaste com viagens e recuperação.

“Não há a prevenção. Cada clube grita na hora do prejuízo, quando já está feito”, afirma Romildo Bolzan, presidente do Grêmio.

Um modelo que poderia ser seguido pelo futebol brasileiro vem da Espanha. Lá, o calendário é montado para que um clube ou atleta não atinja um número grande de partidas.

“Na temporada passada, o Barcelona, campeão de LaLiga e semifinalista da Champions, fez 60 partidas. Já o Palmeiras, campeão brasileiro e semifinalista da Libertadores, fez 74”, compara Albert Castelló, delegado da LaLiga no Brasil.

A matemática do calendário brasileiro é outra. Descontando férias e pré-temporada, restariam 92 datas disponíveis para futebol (fins e meios de semana). No ano que vem, por exemplo, serão dez datas Fifa em cinco períodos (que impactam em 15 rodadas nacionais). Caso os campeonatos parassem nestas ocasiões, os times só poderiam entrar em campo 77 vezes. Se parassem também para a Copa América, este número seria reduzido para 68.

Em 2019, um time que disputa Estadual, Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil (entrando nas oitavas de final) chega a jogar 75 vezes. Quem precisa passar pela Pré-Libertadores, 79, mesmo número de partidas de quem disputar Estadual, Copa do Brasil (desde as primeiras fases), Brasileirão e Sul-Americana.

Na atual temporada, o calendário inchado pode afetar especificamente o Flamengo já que, caso ganhe Brasileiro e Libertadores, irá avançar o período das férias para a disputa do Mundial de Clubes. E terá que voltar mais cedo, para pegar o Athletico em 19 de janeiro, na Supercopa do Brasil.

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