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​Eleitor de Bolsonaro, bombeiro que deu água a tatu diz que foto viral foi tirada de contexto

UOL em 23/08/2019 às 15:24. Lida 621 vezes.

A imagem de um bombeiro dando água a um tatu que havia fugido de um incêndio no Estado do Mato Grosso se transformou em um dos símbolos das queimadas que afetam a Amazônia.

Até quarta-feira (21), o Brasil já havia registrado 74,1 mil focos de incêndio apenas neste ano, um aumento de 84% em relação aos 40,1 mil focos de incêndios de 2018.

Mas os bastidores da foto, registrada entre os municípios de Nova Mutum e São José do Rio Claro, a 230 km de Cuiabá, contam uma história diferente.

Segundo conta à BBC News Brasil o sargento Pedro Ribas Alves, que teve a ideia de dar água ao animal e aparece no registro, a imagem que viralizou por todo o país foi politizada e tirada de contexto.

"Sou eleitor de Bolsonaro. Fiquei um pouco chateado porque a foto vem sendo usada para denegrir o presidente. Essa nunca foi minha intenção e não tirei essa foto para aparecer. A imagem foi tirada de contexto. Aquele incêndio não foi criminoso, não tinha nada a ver com desmatamento ilegal ou com a Amazônia. Aqui é cerrado", diz ele, que faz perícia de incêndios florestais.

Ribas conta que o incêndio não foi intencional e teve origem na queda de um fio de alta tensão sobre o pasto. As chamas devastaram 772 hectares de uma propriedade "já usada para a criação de gado".

"Fomos até lá justamente para investigar a origem desse incêndio. Quando estávamos retornando, vimos este tatu. Paramos para ver se ele queria água e ele não ofereceu resistência, porque estava bem fraco", conta.

"Foi quando peguei um copo de água e ele foi tomando. Perdeu totalmente o instinto selvagem. Queria sobreviver a todo custo", acrescenta.

Ribas conta que seu chefe enviou a foto para o grupo de WhatsApp da família dele, que mora no Piauí.

Logo em seguida, a imagem rapidamente se espalhou nas redes sociais. "Um amigo do Paraná me mandou uma mensagem me perguntando se era eu na foto", explica.

"Fiquei grato de poder contribuir. Sempre trabalhei em defesa dos animais", completa.

Questionado pela BBC News Brasil sobre o que pensa da política ambiental do governo Bolsonaro, Ribas se mantém fiel ao presidente.

"Acho uma covardia dizer que ele está destruindo a Amazônia. Tem muita desinformação por aí", diz, insistindo que não pode falar sobre desmatamento na floresta porque não trabalha lá.

Queimadas sempre ocorreram, mas nunca incentivadas por discurso de um presidente, diz Marina Silva

Ele ressalva, no entanto, que vêm ocorrendo muitas queimadas ilegais na região onde atua. No MatoGrosso, o chamado "período proibitivo" para as queimadas, durante o qual os pecuaristas não podem usar fogo para a limpeza de pasto, começou a vigorar no dia 15 de julho e vai até 15 de setembro.

"Só uma menor parte das queimadas é acidental. De fato, a maioria acontece para ampliação de área de pasto. Muitos têm autorização e outros não. Mas não se pode esquecer de que aqui temos o período proibitivo em vigor. Se o fazendeiro usou o fogo para limpar o terreno depois do dia 15 de julho, tem que ser autuado", explica.

"Durante o período proibitivo, temos poucos casos porque a fiscalização aumenta. Mas fora do período proibitivo, temos muitas queimadas ilegais, sem autorização", acrescenta.

Incêndios na Amazônia

Segundo a BBC News Brasil antecipou, uma nota técnica de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e da Universidade Federal do Acre mostra que o recente aumento no número de queimadas na Amazônia está diretamente relacionado ao desmatamento.

Os dez municípios da região com mais alertas de desmatamento são também os que mais registraram focos de incêndio neste ano.

A correlação entre desmatamento e queimadas contraria o argumento de que os focos de incêndio deste ano seriam algo natural - decorrente apenas do período de estiagem no Norte do país.

A nota técnica também afirma que não é possível atribuir o aumento no número de focos de incêndio ao período seco: na verdade, a estiagem deste ano está mais branda na região do que em anos anteriores, quando o número de focos de incêndio foi menor.

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