Agora: Recordações

​Ex-deputado Valtenir é acusado de usar 'laranjas' para se blindar em esquema de propina

Olhar Direto em 22/08/2019 às 15:18. Lida 428 vezes.

O ex-deputado federal Valtenir Pereira (MDB), alvo da segunda fase da ‘Operação Tapiraguaia’, deflagrada na manhã desta quinta-feira (22), em Cuiabá e outras cidades de Mato Grosso, é acusado de usar ‘laranjas’ para se blindar de possíveis condenações, segundo o apurado nas investigações da Polícia Federal. Era ele quem intermediava contratação de empreiteiras responsáveis por tocar obras em dois municípios de Mato Grosso. Entre os presos nesta ação está o ex-prefeito de Confresa (1.167 quilômetros de Cuiabá), Gaspar Domingos Lazari (PSD).

“Não [houve pedido de prisão] por um detalhe muito simples, ele [Valtenir] usava os assessores como interposse pessoal para pegar o dinheiro. Então, o que se tem são os assessores dele recebendo dinheiro, pagando as contas e outras coisas. Agora, ele propriamente se blindou”, disse o delegado Carlos Henrique Cotta D'Ângelo, de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal.

Mesmo assim, a Polícia Federal indiciou o ex-deputado, já que para o órgão e o Ministério Público Federal (MPF), seria Valtenir o responsável por todo o esquema. “Não tivemos a prisão porque entendeu-se que não teria condições neste momento”.

“Não teve porque ele [Valtenir] usa essas pessoas como laranjas e se protege. Mas dentro da perseguição do caminho do dinheiro, sabe-se que é dele, era dele, o interesse é dele, a participação é dele”, enfatizou o delegado.

As investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o ex-deputado federal e atual suplente, Valtenir Pereira (MDB), seria o líder de um esquema criminoso que desviou mais de R$ 600 mil das prefeituras de Confresa e Serra Nova Dourada (1.167 e 1.024 quilômetros de Cuiabá).

Segundo as investigações, mais de R$ 600 mil foram utilizados pra pagamento de propina. Valtenir teria viabilizado a realização de convênios entre o Ministério da Integração Nacional – Secretaria Nacional da Defesa Civil e as prefeituras, amparando-se na justificativa de construção de pontes de concreto emergenciais, devido às enchentes provocadas pelas chuvas.

Os prefeitos, beneficiados com os recursos federais, realizavam licitações repletas de irregularidades, combinando previamente com os empresários contratados para a execução das obras. Os políticos exigiam propinas a essas pessoas, na medida em que fossem realizados os pagamentos.

Os valores utilizados nas propinas provinham na maioria das vezes de medições fraudulentas, como atestados de serviços não realizados ou realizados a menor. Os montantes eram repassados aos gestores municipais e ao ex-deputado, por meio de depósitos/transferências em contas de terceiros.

As obras da prefeitura de Confresa/MT teriam gerado em torno de R$ 413 mil em propinas aos agentes públicos envolvidos, enquanto as de Serra Nova Dourada/MT o montante de R$ 187 mil.

Segunda fase

A segunda fase é resultado da análise dos dados bancários e dos objetos apreendidos durante a primeira fase da operação, ocorrida em 30 de janeiro deste ano. O material aponta que o ex-deputado teria montado um esquema criminoso em conluio com empresários e prefeitos de Confresa e Serra Nova Dourada.

Segundo as investigações da Polícia Federal, mais de R$ 600 mil teriam sido utilizados para pagamento de proprina.

Os investigados irão responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e crimes licitatórios, podendo pegar até 40 anos de prisão.

Participam da ação mais de 30 policiais federais e servidores da Controladoria-Geral da União (CGU), que cumprem 12 mandados de busca e apreensão, três prisões preventivas e sete medidas cautelares nos municípios mato-grossenses de Cuiabá, São Félix do Araguaia, Serra Nova Dourada, Bom Jesus do Araguaia, Apiacás e também em Brasília (DF).

O nome da operação faz referência à palavra “Tapiraguaia”, primeiro nome do município de Confresa/MT. O termo é uma junção das palavras “Tapirapé” e “Araguaia”, dois rios da região norte mato-grossense.

Foram decretadas as prisões preventivas do ex-procurador do município e ex-assessor parlamentar, Marcelo Luiz Faustino Pereira; ex-prefeito de Confresa, Gaspar Domingos Lazari e Wilton Rodrigues Baracho.

Foram expedidos mandados de busca e apreensão contra: Meudra Pereira dos Santos; ex-deputado federal Valtenir Luiz Pereira; ex-prefeito de Confresa Gaspar Domingos Lazari; Marcelo Luiz Faustino Pereira; BSB Consultoria; Public. Assessoria e Consultoria LTDA; Wilton Rodrigues Baracho; Wildson Rodrigues Baracho; ex-prefeito de Serra Nova Dourada, Edson Yukio Ogatha; Acacio Alves Souza; Markus Tulio Ferro de Brito; Rodrigo Zacarias Aleixo e Rita de Cassia Morais Ribeiro ME.

Além disto, a Justiça também decidiu pelo sequestro de bens em desfavor de Edson Yukio Ogatha; Valtenir Luiz Pereira; Gaspar Domingos Lazari; Acacio Alves Souza; Marcelo Luiz Faustino Pereira; BSB Consultoria; Public. Assessoria e Consultoria LTDA e Wilton Rodrigues Baracho.

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