Sorriso FM 99,1

18/03/2019 17:07
Lida 705 vezes.

Folha Max

Um ex-investidor do "sistema de pirâmide", popularmente conhecido como Telexfree, tentou reaver um alegado investimento de R$ 68 mil na empresa, mas a justiça negou provimento ao seu pedido em decisão proferida na sexta-feira (08) e publicada no último dia 11 no Diário da Justiça Eletrônico.

De acordo com a sentença da juíza da Primeira Vara Cível de Várzea Grande, Ester Belém Nunes, E.A.S. não conseguiu comprovar que realmente aportou quase R$ 70 mil em dinheiro na Ympactus Comercial S/A, razão social da empresa cujo nome de fantasia é TelexFree.

E.A.S. pleiteava receber de volta o equivalente à aquisição de nada menos que 22 contas do tipo AD Central Family, cujo valor total perfaz R$ 68.029,50. Seu advogado entrou com ação de liquidação de sentença baseado na decisão de outra juíza, a magistrada Thais Khalil, de uma comarca no Acre, que condenou a empresa em julho de 2017 a pagar uma indenização de R$ 3 milhões a seus ex-associados.

A acreana havia determinado que os antigos “sócios” da Telexfree pedissem seus respectivos ressarcimentos nas comarcas onde residem e ou fizeram o suposto investimento. No caso, E.A.S. o fez em Várzea Grande.

A Telexfree é apontada como operadora de um dos maiores esquemas de fraude e evasão financeira da história do país (leia mais no fim da matéria).

O várzea-grandense pedia apuração do valor aduzido para cobrança judicial com declaração de crédito em seu favor e posterior recebimento da soma. Acontece entretanto que Ester Bélem não conseguiu entender que o pleiteante não conseguiu comprovar a liquidez de seu crédito porque não apresentou nem mesmo boletos, recibos ou qualquer outro documento para provar a compra das contas ou pacotes da Telexfree.

“Não restou demonstrado nos autos que a parte autora realizou a aquisição de 22 contas AD Central Family no valor de R$ 68.029,50, perante a requerida, uma vez que tal alegação ficou relegada ao campo hipotético, sem qualquer prova robusta da sua ocorrência”, escreveu a juíza.

COMO FUNCIONAVA

O dono da Telexfree, Carlos Costa, foi condenado pela Justiça a três anos, sete meses e 21 dias de prisão por omitir e prestar informações falsas na declaração de imposto de renda de pessoa física, resultando, assim, na sonegação de R$ 3.960.073,13. A decisão da Justiça cabe recurso, mas Costa ainda não se pronunciou. Ele, entretanto, vai responder em liberdade, pois a sentença é inferior a quatro anos.

Os Ministérios Públicos de pelo menos sete estados investigaram a empresa Ympactus Comercial Ltda ME por suspeita de prática de pirâmide financeira, com “investimentos” estimulados por meio de um sistema chamado de “marketing multinível”.

A empresa Ympactus Comercial Ltda ME, conhecida pelo nome fantasia Telexfree, com sede no Brasil no Espírito Santo, diz atuar com prestação de serviços de telefonia VoIP (por meio da internet).

Para tornar o serviço conhecido, a empresa vende pacotes a “divulgadores”, que compram e revendem contas e “recrutam” novos revendedores. A divulgação é feita principalmente pela internet. Para tornar-se um divulgador, o interessado precisa pagar uma taxa de adesão e comprar os pacotes de contas, que custavam a partir de US$ 289. Ele convence outras pessoas a participarem, que também investem dinheiro, e proporcionam comissão a quem convidou.

Avaliações do MPF e do Ministério da FFazenda apontam que a atividade comercial da empresa não é sustentável no longo prazo e evidencia prática conhecida como “pirâmide financeira”, o que é considerado crime contra a economia popular.

O caso é investigado pelos MPs de ao menos sete estados (Acre, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco e Santa Catarina). Segundo as investigações, a empresa teria montado um esquema de pirâmide, em que cada novo membro compra um pacote que remunera os membros acima na cadeia. Esse novo membro, por sua vez, ganha dinheiro recrutando outras pessoas para o sistema.

De acordo com o advogado da empresa, Horst Fuchs, a Telexfree atua com prestação de serviços de telefonia VoIP (por meio da internet). Cada conta custa US$ 49,90 (cerca de R$ 100) e permite o uso ilimitado por um mês.

Os valores são estabelecidos em dólares porque a prestadora de serviços, a Telexfree, fica nos Estados Unidos. No Brasil, a Ympactus faz a gestão administrativa.

Para “lucrar”, o divulgador precisa vender essas contas aos usuários interessados e estimular que eles também se tornem revendedores, em um sistema chamado de “marketing multinível”. A divulgação é feita principalmente pela internet. Além do ganho com as vendas, cada divulgador recebe 2% de comissão das vendas de outros divulgadores indicados por ele em até cinco “níveis” (a pessoa que vende proporciona 2% de comissão para os cinco divulgadores que estão acima dela na rede). Essa comissão é paga pela empresa.

Veja também


Enquete
Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria para prefeito (a) de Sorriso?
  • Parcial