Sorriso FM 99,1

11/09/2018 12:20
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Tâmara Figueiredo

O empresário Celito Barbieri conta como chegou a Sorriso e como montou a Rádio Sorriso



A Sorriso FM está comemorando 30 anos de atuação em Sorriso. A emissora surgiu como o primeiro veículo de comunicação do município, quando Sorriso tinha apenas dois anos de emancipação político-administrativa. Mas como tudo começou? O primeiro proprietário da Rádio Sorriso, que surgiu como AM 770 MHz, foi o empresário Celito Barbieri. Ele contou como foi à época todo o processo para adquirir a concessão pública da rádio. Segundo ele, foi uma luta política que durou cerca de dois anos. Ele lembrou a época em que chegou ao município ainda no inicio da década de 80.

“Eu cheguei dia 26/01/1980, não tinha nada , nada, umas 15 casas na beira da BR, mais não tinha. Eu tinha duas cidades pra ir, eu morava em São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, ouvia falar na TV Tarobá, que tinha terras em Sinop e Juína. Tinha um corretor, que me perguntou qual atividade eu pretendia desenvolver, disse a ele que era lavoura. E ele disse que não era nenhuma dessas cidades, que era Sorriso. Comprei e vim pra cá com a família, três irmãos e mais uma família, viemos em quatro famílias no mesmo caminhão”.

Ele contou como eram as dificuldades encontradas em Sorriso naquela época.

“Era tudo cerrado, não tinha avenida, não tinha nada, não tinha água, a gente ira buscar água lá embaixo na baixada, não tinha luz, telefone, nada. Tinha um mini-mercado do seu Brandão e da dona Helena lá na beira da rodoviária. Tinha o açougue e o básico do dia”.

Ele veio para trabalhar com lavoura e teve um comércio de materiais de construção. Ele contou como de forma visionária, acabou entrando neste meio da radiodifusão, sem nunca ter trabalhado nesta área. “o primeiro ano com lavoura e depois com material de construção. Onde é a Gazin hoje, eu tinha uma loja de materiais de construção. Nunca na vida tinha trabalhado com rádio. Só que acontece que aqui não pegava emissora nenhuma. A única emissora que pegava aqui era a Radio Nacional de Brasília. E aí conversando com um amigo meu que mora em Rondonópolis, perguntei a ele, você que é deputado, você me ajuda, vamos botar uma rádio em Sorriso? Ele disse: Então tá, eu ajudo na documentação e você faz o resto. E de fato, depois até a documentação eu tive que resolver sozinho, por outros meios, mas graças a Deus, porque aqui só pegava a Rádio Nacional de Brasilia”.

Contou como foi todo o processo “Entre o processo e a concessão foram quatro anos. Foi em 88. 12 de setembro de 88. Demorei um ano e meio a dois anos depois que saiu, porque aqui não tinha ninguém que instalava equipamentos de rádio na época, tive que trazer uma pessoa de Diamantino a São Paulo para colocar a rádio no ar. É muito complicado quando você não tem nada numa região, quando você não tem conhecimento das coisas e só tem a boa vontade. Graças a Deus que a boa vontade faz tudo, né?”.

Quem era daquela época se lembra de que inicialmente a Rádio Sorriso funcionava em uma sala na parte de cima do prédio da Gazin. “Onde é a Gazin, em cima. Lá ficamos por dez anos, depois viemos para cá. Fui a São Paulo com informação de uma pessoa de Cuiabá, que tinha montado a Rádio Cultura de Cuiabá, quefoi o Toninho que deu assistência para a Rádio por muitos anos. Foi a São Paulo , porque a TV Bandeirantes tinha uma fábrica de transmissores e eu comprei lá o primeiro transmissor da rádio. E o segundo, que é digital, esse que está aí até hoje eu comprei no Chile”.

Para montar e tocar a Sorriso, o senhor Celito contou com alguns sócios desde o início. “o primeiro foi Antonio Schommer, deputado, e depois ele vendeu a parte dele para o Elpídio Daroit. Daí ficou eu, o Elpídio e um irmão meu, depois eu comprei a parte do meu irmão e ficamos eu e o Elpídio e o Elso Rodrigues com uma pequena participação desde o começo. O Elso tinha uma prática e o irmão dele também tinha prática que já tinha trabalhado em rádio no Paraná, então peguei eles com uma pequena sociedade para me ajudar.

Celito contou como foi o papel da Rádio Sorriso ajudando no crescimento do município em todos os sentidos:

“Se Sorriso cresceu, a rádio também ajudou muito, teve o seu papel de ajudar nesse crescimento, em todo sentido, na divulgação, nas festas, nas reuniões comunitárias, a Rádio Sorriso sempre foi muito participante nesse crescimento”.

Ele relembrou como era fazer jornalismo naquela época “Em Cuiabá eu tinha uma amizade boa. Nos tínhamos um telex, tinha um veículo de Cuiabá que mandava notícia pra nós todos os dias via telex e a gente divulgava essas notícias. Notícia sempre teve. No começo era divertido, aspessoas até usavam para fazer negócios. A pessoas pediam para o locutor mandar aviso, não tinha telefone, não tinha ônibus para tal lugar. Os locutores liam bilhetes para fechar negócios, toda semana. A Rádio servia de intermediária entre uma coisa e outra”.

Ele relembrou como era o funcionamento dos equipamentos antigos “antigamente era bem complicado, as fitas, as gravações, era muito complicado, não era qualquer um que conseguia programar um comercial. Depois veio o gravador, depois veio o telefone. Era muito fio. Os comerciais eram montados numa cartucheira. Quem não sabia, levava meses”.

Celito contou como foi a aquisição do primeiro transmissor da rádio. “A primeira viagem nós fomos para Buenos Aires. Eu queria comprar um transmissor digital, porque no Brasil ainda não produzia. Depois fomos para Santiago, fomos na fábrica e fechei negocio. Veio um técnico do Chile, com o transmissor e montou aqui. Tudo de ultima geração, as mesas tudo veio do Chile. O investimento foi uma tacada de dinheiro. Ainda era em dólar, tinha que mandar em dólar, hoje não dá porque agora é 4 por 1, na época era 1,20, quase um por um”.

A era de ouro e as grandes transmissões de futebol. Celito relembrou como eram as transmissões de eventos esportivos:

Na época a Rádio Sorriso era a única emissora da região que transmitia tudo. Fomos transmitir o Grêmio em Porto Alegre, o Internacional, no Rio de Janeiro o Vasco. Um clássico do Flamengo. Do próprio SEC em Porto Alegre, o SEC jogou contra o Grêmio, em Salvador, contra o Vitória. A Rádio Sorriso em termos de esportes, sempre tinha dois, três locutores para narrar futebol. Jogo do Brasil também, seleção brasileira no Rio de Janeiro, seleção brasileira em Salvador, em Cuiabá muito, muito.

Hoje é que não faz mais. "Nós transmitimos um jogo do SEC contra Juara pelo campeonato mato-grossense e por aqui não tinha estrada, nós tivemos que ir pela Baiana, atravessando rios e pontes, sangas, pranchas, saímos na sexta-feira, pra chegar na madrugada de domingo lá. Dá 400 km, nós fomos em cinco pessoas de jeep uma festa por toda estrada e Sorriso perdeu por 2x1. A gente tinha uma maleta pra transmissão de futebol, ainda tem por aí. A gente pedia para a Telemat instalar uma linha de transmissão no estádio. Todo mundo escutava a rádio Sorriso, queria saber uma notícia, qualquer coisa, ligava na Rádio Sorriso porque era a única na região”.

Finalizou falando porque vendeu a rádio e também falou sobre a sua paixão pelo rádio Vendi a rádio Sorriso porque a família começou a crescer e decidimos vender a Rádio em 2008 e investir em outra coisa. Vendi para o Elso Rodrigues e o Nelso Rodrigues. O Elpidio não vinha aqui porque não era a área dele. Ele participou desta parte de investimentos na época. O Antônio Sholmer não tinha dinheiro na época para comprar equipamentos e nem eu conseguia bancar sozinho. Então o Antonio pediu para arrumar um comprador. Então entrou o Elpidio, eu falei com e deu certo.Eu sou um apaixonado pelo rádio, tenho um aplicativo no celular e ouço rádios do mundo inteiro, do Sul do país Santa Catarina, Rio Grande do Sul, da Itália, do Chile, Argentina. Sou apaixonado pelo rádio. Se tiver um bom locutor do outro lado, aquilo te dá uma sensação daquilo que está falando. No rádio você não vê, então você fica atento. É um chamativo, mexe com a imaginação”.

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