11/07/2018 16:32

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Olhar Direto


A pequena Analu Paluni Kamayura Trumai, que foi enterrada viva pela bisavó no último dia 5 de maio, em Canarana (879 quilômetros de Cuiabá), recebeu alta da Santa Casa de Misericórdia em Cuiabá na tarde desta quarta-feira (11), após ficar 36 dias internada. A menina foi encaminhada para um abrigo em Canarana, após requerimento feito pelo Ministério Público Estadual (MPE).

De acordo com a assessora técnica da Santa Casa de Cuiabá, Érica Carvalho, a menina recebeu alta às 14h de hoje. Ela já respirava sem aparelho e se alimentava sem auxílio de sonda. Desde a última segunda-feira (9) a criança já poderia receber alta, mas o hospital aguardava algum posicionamento da Justiça sobre o destino da bebê.

Por meio da Promotoria de Justiça de Canarana, o Ministério Público Estadual (MPE) requereu nesta terça-feira (10), medida protetiva de acolhimento institucional da bebê. O MPE entende que a manutenção da menor em abrigo deve permanecer até que a situação de vulnerabilidade cesse, ou que sua genitora esteja em condições favoráveis, possibilitando assim o retorno ao convívio da família natural ou, subsidiariamente, a colocação em família substituta.

O Ministério Público também solicitou a realização de diligências pelo Conselho Tutelar, a fim de localizar o genitor, os avós paternos e demais parentes, que possuam eventual interesse em permanecer com a criança e, em caso positivo, a realização, em caráter de urgência, de estudo psicossocial no ambiente familiar.

O pai da menina já disse à Polícia Civil que tem interesse em ficar com a criança. A mãe de Analu, a adolescente de 15 anos, Maialla Paluni Kamayura Trumai, também havia dito ao delegado Deuel Paixão de Santana, que investiga o caso, que não sabia das intenções de sua mãe e sua avó e que quer ficar com sua filha.

Por enquanto Analu ficará em um abrigo em Canarana, aguardando alguma decisão da Justiça sobre a definição de quem será a guarda da criança.

O caso

No dia 5 de maio a Polícia Civil foi informada de um recém-nascido que teria sido enterrado em uma residência, e deslocou para o endereço (rua Paraná) em conjunto com a Polícia Militar.

Ao iniciar escavação em busca do corpo, os policiais ouviram o choro do bebê e constaram que a criança estava viva. A bebê, agora identificada pelo Ministério Público como Analu Paluni Kamayura Trumai, foi socorrida e encaminhada para socorro médico imediato.

A bisavó da bebê, Kutsamin Kamayura, 57, foi presa na manhã de quarta-feira (06) e na ocasião, alegou que a criança não chorou após o nascimento, por isso acreditou que estivesse morta e, segundo costume de sua comunidade, enterrou o corpo no quintal, sem acionar os órgãos oficiais.

Em continuidade às investigações, a Polícia Civil com oitivas de testemunhas envolvidas no caso, apurou a conduta e participação da avó da vítima, a indígena Tapoalu Kamayura, 33.

Ela tinha conhecimento da gravidez da filha de 15 anos, em razão da adolescente ser solteira e o pai da criança já ter casado com outra indígena. Durante todo período gestacional também ministrou chás abortivos para interromper a gravidez, segundo os depoimentos colhidos.