09/06/2018 17:27

Quantidade de visualizações: 366

Reportagem Paulo Henrique Gomes/AR

Publicada em 27 de maio, a Medida Provisória (MP) 832/2018 estabelece o valor do frete mínimo para quem trabalha no setor de transporte rodoviário de cargas. A formulação da tabela fez parte de um acordo do governo com caminhoneiros para por fim à greve da categoria, que durou 11 dias e gerou uma crise no abastecimento em todo o país.

A medida foi regulamentada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá impactar diversos setores. O que acontece é que, por conta da MP, várias áreas podem reduzir suas remessas de cargas ou podem cogitar a hipótese de montar frotas próprias de caminhões.

Na opinião do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, Fernando Valente Pimentel, o tabelamento do valor mínimo para o frete de cargas representa um retrocesso para o país.

"O tabelamento não resolve nada. O tabelamento é um retrocesso. Houve aí muitos tabelamentos que sempre terminaram, no mercado paralelo, com menos investimentos, escassez, e no final, perda para a sociedade. Então, nós somos contra esse tabelamento, que vai contra a livre iniciativa. Ele chega às raias da inconstitucionalidade e, obviamente, está trazendo um prejuízo para todo o país".

De acordo com Fernando Valente Pimentel, o tabelamento do preço mínimo do frete de cargas também irá interferir diretamente no valor das roupas da população, por exemplo.

"Vai impactar o preço do vestuário, principalmente para as pessoas de menor renda, porque quanto maior o valor agregado, maior o preço do frete. Portanto, nós entendemos que não é a solução, pelo contrário, tenta-se resolver um lado dessa equação que são os caminhoneiros, que tem que ser resolvido sim, por outro lado temos a diminuição da atividade econômica, o que acaba gerando o fato de não ter carga para ser transportada".