Sorriso FM 99,1

05/04/2018 07:09
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Fernando Luiz com assessoria

A inclusão da soja na lista de produtos norte-americanos que podem ser sobretaxados pela China deixou o Brasil ainda mais de sobreaviso quanto ao futuro da crise sino-americana. Como Brasil e EUA são os dois maiores fornecedores do grão para o país asiático, qualquer movimentação que afete as vendas de um alcançará os negócios de outro.

Ontem, após o governo Xi Jiping incluir a oleaginosa na lista de mais 106 produtos norte-americanos que podem ser sobretaxados, oscilaram significativamente o preço do grão em Chicago e o prêmio pago pela soja brasileira. Um cenário propício para a especulação, alertam especialistas. Enquanto a cotação da oleaginosa em Chicago encerrou o dia com queda de 2,2% (já que o grão poderá sobrar no mercado interno norte-americano), o prêmio pago pela soja brasileira deu um salto: passou de 110 centavos de dólar, na terça-feira, para até 165 centavos de dólar ontem. "No cálculo final, a cotação fechou positiva para a o produto brasileiro, pois teve perde de US$ 0,22 na cotação internacional e ganho de US$ 0,50 no prêmio pago em Paranaguá no spot para maio (entrega imediata)", explica o analista Luiz Fernando Gutierrez Roque, da Safras & Mercado.

No porto do Rio Grande, segundo Guterrez, a cotação subiu de R$ 83,00, na terça-feira, para R$ 84,50 ontem (alta de 1,8%). Com a melhora no preço, diz o analista, o cenário é positivo para que produtores brasileiros fechem contratos agora. "É preciso ter cautela, claro, mas recomendo que o produtor venda uma parte do que tem disponível para negócios agora. Amanhã, os dois países podem sentar novamente, negociar, e tudo se normalizar", alerta Roque.

Superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra reforça que cautela deve ser a palavra de ordem no momento. A executiva da CNA alerta que o cenário ainda está sujeito a muitas variáveis e que o comunicado chinês sequer traz uma data para início da sobretaxa. "Vale lembrar que associação de produtores norte-americanos de soja divulgou uma carta aberta defendendo que Donald Trump encerre essa briga comercial com a China. Eles são a base do eleitorado de Trump, e o lobby do agronegócio é fortíssimo nos Estados Unidos", destaca Lígia.

Para o professor de Administração da Ufrgs Antônio Padula, estudioso das relações comercias chinesas, ainda é prematuro achar que a China não comprará soja norte-americana ou qualquer outro produto. E, mesmo que faça a sobretaxação, as muitas possibilidades no horizonte impedem qualquer tipo de planejamento sobre os rumos do grão. "O Brasil não pode aumentar a área plantada, por exemplo, porque tudo pode mudar e ficarmos com excesso de produção. E esse é apenas um dos riscos. Para mim, o que de mais grave está ocorrendo é a fragilização que Trump está promovendo nos organismos internacionais de comércio", alerta Padula.

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