Sorriso FM 99,1

​Por falta de recursos, o Centro Oncológico Infantil, que é um serviço terceirizado pela Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, ameaça parar

28/03/2018 16:54
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GD

A unidade atende, em prédio anexo, 32 crianças com câncer da Capital e cidades do interior. Também acompanha mais 200 que já fizeram o tratamento, mas ainda não saíram da fase de risco de reincidência.

Na Capital, apenas este centro e o Hospital de Câncer de Mato Grosso (Hcan-MT) prestam o serviço pela saúde pública.

Médico responsável pelo centro, que é de alta complexidade, Wolney de Oliveira Taques, oncologista infantil, denuncia que já há algum tempo tem faltado medicamentos quimioterápicos e, sendo assim, equipe médica é obrigada a adiar sessões.

Para pacientes em risco de morte e familiares, ter que enfrentar também este tipo de problema, segundo o oncologista, "é muito triste".

"Na situação atual, não tem como comprar medicamentos, temos que esperar e isso é angustiante", lamenta o médico.

Outro problema é a dívida com laboratório de Goiânia que emite laudos de exames de medula óssea, comprobatórios para leucemia, que é o tipo de câncer mais comum entre crianças (30% dos casos). O valor pendente é de R$ 15 mil. O laboratório já sinalizou que, se não for pago, vai suspender o atendimento.

Há risco de atraso na folha de pagamento dos funcionários, que, por enquanto, ainda está em dia.

A dívida da direção da Santa Casa com o Centro Oncológico Infantil, de acordo com Wolney Taques, é na ordem de R$ 100 mil. O atraso dos repasses, é de 2 meses.

O médico afirma que não queria expor essa situação, porque o drama das crianças e também das mães que as acompanham já é grande. "Acontece que prefiro isso a colocá-las em risco", alega.

Segundo o médico, quando o tratamento é eficiente, a chance de cura supera a casa dos 70%. No entanto, no Brasil, devido a estes e outros problemas, cai para em torno de 60%.

Mães angustiadas

Diante desta situação, as mães das crianças se uniram. Estão angustiadas e revoltadas.

Uma delas é Rosimeire Paula, de Lucas do Rio Verde (354 km ao Norte de Cuiabá). Mãe de Heloísa, de 4 anos, explica que a filha faz tratamento contra um tumor cerebral inoperável e no momento está internada com pneumonia. A quimio dela, em um período de 1 ano e 1 mês, já foi interrompida várias vezes. Apesar do tumor não ter crescido, nem diminuído, provocou a perda de movimentos do corpo dela. Além disso, já recaiu mais de uma vez com pneumonia, devido ao quadro de baixa imunidade. Como são do interior, quem dá o acolhimento a elas é Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC), que tem um casa abrigo na Capital.

Apesar das dificuldades, Rosimeire tem esperança de que tudo vai dar certo para Heloísa.

Outra mãe preocupada com o risco de fechamento do Centro Oncológico Infantil é Creuza Mazete Carvalho, 39. Ela também vem do interior, São José dos Quatro Marcos (315 km a Oeste de Cuiabá), com a filha de 11 anos que combate uma leucemia. Toda vez que falta medicamento quimioterápico para menina, Creuza se deprime, chora, mas o jeito é esperar até que chegue novo lote.

Unidas, há cerca de 1 mês, as mães levaram a situação ao Ministério Público Estadual (MPE) e o promotor Alexandre Guedes acompanha o caso.

Outro lado - A direção da Santa Casa confirmou ao Gazeta Digital que a situação é dramática. Alega, porém, que é impacto da falta de repasses por parte da Prefeitura de Cuiabá, Estado e União.

O dinheiro para esta finalidade é do Ministério da Saúde, encaminhado via Prefeitura de Cuiabá.

A Secretaria Municipal de Cuiabá emitiu nota afirmando que não tem contrato com o centro oncológico e que os repasses à referida clínica são de responsabilidade da direção da Santa Casa. Afirmando também que repasses dos serviços de oncologia da Secretaria para a Santa Casa estão em dia.

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