Sorriso FM 99,1

13/03/2018 14:33
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Olhar Direto


Supostos integrantes de uma facção criminosa ameaçaram alunos de uma escola estadual do bairro CPA 3, em Cuiabá. No vídeo, os bandidos avisam que não querem consumo e venda de drogas na unidade de ensino e quem continuar fazendo “receberá um salve" [termo usado para sessões de espancamento promovido pelos criminosos]. Eles ainda dizem que têm o apoio da diretoria, enquanto que estudantes acompanham a tudo ajoelhados na quadra do local.

O fato teria sido gravado na escola estadual Almira, no setor um do bairro CPA 3. Uma ‘denúncia’ de consumo e venda de drogas na unidade de ensino teria chegado aos integrantes da facção. Todos os estudantes foram reunidos na quadra e ameaçados. Alguns ainda teriam levado pontapés.

Um dos alunos ainda teria recebido a missão de “cuidar da escola”, para evitar que a prática volte a ocorrer. No vídeo, um dos criminosos chega a ameaçar: “meu sangue ferve só de saber que eu tive que sair de casa pra vir aqui passar esse recado pra vocês”.

Em outro trecho, o criminoso acrescenta: “Aqui tem criança especial, tem filho de preso que estuda aqui”. Por fim, ainda diz que não liga para o que eles fazem fora da unidade, mas que seria para eles respeitarem a ordem dada pela facção criminosa.

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou ao Olhar Direto que já teve acesso as imagens e à denúncia. Uma equipe foi enviada para a unidade de ensino e mais detalhes sobre procedimentos tomados e se, de fato, o vídeo foi gravado na escola, serão repassados ainda nesta segunda-feira (12).

Vários vídeos que circulam pela internet registraram a ação de membros de uma facção criminosa de Mato Grosso torturando pessoas em Cuiabá e Várzea Grande. Os 'tribunais do crime' tem 'punido' aqueles que desobedecem ordens repassadas pelas facções.

Algumas pichações feitas em um muro no bairro Despraiado, em Cuiabá, supostamente feitas por membros da facção criminosa tentam reforçar a presença dos criminosos na capital. A frase relembra os recentes vídeos de “tribunais do crime” que foram espalhados pela internet. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) afirmou que a Polícia Civil continua investigando o caso.

Em recente entrevista, o delegado Diogo Santana, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou que estes casos foram uma quebra no Poder Judiciário.

Ele afirma que não acredita neste poder paralelo fazendo “Justiça” e que isto não pode ser assumido pela sociedade. Santana ainda disse que a polícia trabalha continuamente para tentar identificar os integrantes da organização criminosa.

“A maneira que nós encontramos é trabalhar com a inteligência, no sentido de identificar quem são os componentes, desde o indivíduo do alto escalão, quanto os que estão na ponta cometendo o crime a mando do comando vermelho, no sentido de enfraquecê-los. A gente sabe que acabar com uma organização criminosa como o comando vermelho não se mostra possível, mas o nosso trabalho é contínuo, no sentido sempre de enfraquecer e demonstrar que a força policial sempre sobressai à força da organização criminosa”, disse.

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