12/01/2018 16:15

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RD News



Mato Grosso registrou no final do ano passado um aumento acumulado de 24,4% no preço do botijão de gás de cozinha de 13 kg na comparação com o final de 2016. Na última semana de 2017, os mato-grossenses estavam encontrando o GLP (gás liquefeito de petróleo) a uma média de R$ 96,47, enquanto no mesmo período de 2016 a cotação estava em R$ 77,52.

A dona de casa Mary Rosa, de 59 anos, que mora em São Paulo e está em período de férias em Cuiabá, afirma que acha "um roubo" o preço do gás de cozinha na Capital mato-grossense. Ela conta que pagou R$ 70 na última vez que comprou um botijão em São Paulo, sendo que é possível encontrar o produto até a R$ 65 se a pessoa for buscar diretamente na distribuidora.

"Eu não acreditei quando fiquei sabendo que o botijão custava perto dos R$ 100 aqui. Além de ser caro, eu não entendi muito bem o porquê desse preço, e olha que eu até perguntei para o pessoal da revendedora. É um absurdo", exclama.

O vigilante Gilson Andrade Ferreira, de 39 anos, mora no Altos da Serra em Cuiabá e também reclama dos aumentos. Ele destaca ainda que o alto preço do gás está pesando no bolso do consumidor. "Pesou bastante. O salário sobe só um pouquinho, R$ 17. Já o gás e as outras coisas sobem muito", diz.

Como já era verificado pelo menos desde setembro, Mato Grosso fechou 2017 com o GLP mais caro do país. Logo em seguida aparece Tocantins, com um preço médio de R$ 85,17, e depois Roraima (R$ 80,17). A Bahia tinha o GLP mais barato, calculado em uma média de R$ 60,61.

Os preços são levantados semanalmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e estão disponíveis em seu último boletim. Nos últimos sete dias do ano recém-encerrado, foram encontrados botijões de 13 kg até por R$ 106, sendo que o preço mínimo localizado no estado foi de R$ 70.

O alto preço do produto em Mato Grosso foi puxado pelo valor cobrado em Várzea Grande, cuja média do botijão era R$ 100. Do outro lado da balança, Cáceres tinha o GLP mais em conta a R$ 82,50. Em Cuiabá, os moradores encontram o gás a uma média de R$ 84,71, sendo que em Várzea Grande fica em R$ 80,75.

Fatores de encarecimento

Vinícios Botura, tesoureiro do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro Oeste (Sinergás), argumenta que em Mato Grosso fatores como a distância, já que o gás chega de Paulínia (SP), a mais de 1,4 mil km de Cuiabá, acabam encarecendo o frete, isso sem contar o envio dos botijões para o restante do estado de grande dimensão geográfica.

O representante da entidade salienta, porém, que o principal “vilão” dos aumentos no ano passado é outro. Ele comenta que o anúncio da Petrobras de rever os preços dos combustíveis várias vezes por mês foi uma decisão inesperada e complicada para o setor. A estatal justificou a decisão, tomada em junho de 2016, que o fato iria parear os preços cobrados no país com os do mercado internacional.

“No total, houve uma alta de 62% no preço para as engarrafadoras, sendo que somente 12% do aumento foi repassado para o consumidor. A Petrobras já sabe que isso causou muita dificuldade para todo o setor e está revendo essa política”, pontua Vinícios.

2018

A despeito das seguidas altas, o produto iniciou 2018 com uma queda de 2%. Até o último sábado (6) o GLP podia ser encontrado a um preço médio de R$ 94,51 em Mato Grosso. Apesar dessa cotação, os moradores de Alta Floresta não encontraram no período um botijão a menos R$ 100. No município, os pesquisadores da ANP calcularam que o preço médio do gás de cozinha era de R$ 110,33, sendo que o mínimo ficou em R$ 108 e o máximo em R$ 115.

O ano iniciou com Cáceres registrando o preço mais baixo do estado, ao contrário do verificado no final do ano passado. De acordo com a ANP, a média do botijão na cidade do Centro-Sul mato-grossense ficou em R$ 83,25. Nesse caso, o mínimo encontrado foi de R$ 80 e o máximo ficou em R$ 90.

O tesoureiro do Sinergás pontua que esse ano deve ser menos “turbulento” para os consumidores e distribuidores do gás de cozinha. Ele defende que o preço alto pelo menos fez com que a população pensasse em maneiras de economizar, assim como é feito em tempos de crise de fornecimento de energia elétrica.

“A gente espera um ano mais tranquilo e já estamos mobilizados para que a Petrobras reveja a política de revisão de preços. Estamos mostrando que a questão pesa muito para o consumidor. Nós sempre tentamos não impactar a população com esses prejuízos porque o negócio acaba se tornando ruim para a gente também”, finaliza.