16/12/2017 16:41

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Mídia News com Redação

O deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) ingressou com uma ação de indenização contra o corretor de imóveis Junior Silva, conhecido como “Junior Pé no Chão”, autor de um vídeo - veiculado nas redes sociais - em que classificou o parlamentar como o “maior ladrão do Estado de Mato Grosso”.

A ação está sob a responsabilidade do juiz Yale Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá, que marcou uma audiência de conciliação entre as partes para o dia 30 de janeiro.

No processo, Fabris requereu indenização de R$ 30 mil, por danos morais, valor que, caso concedido, deverá ser destinado à Saúde Pública de Sorriso (420 km de Cuiabá).

No vídeo, Pé no Chão xinga Gilmar Fabris em razão das críticas feitas pelo parlamentar contra o ex-diretor-técnico do Hospital Regional de Sorriso, o médico Roberto Satoshi, em maio deste ano. Na ocasião, Fabris afirmou que Satoshi estaria mentindo sobre a situação caótica do hospital e o que o choro do médico em uma entrevista era “falso”.

O corretor também xingou o deputado em razão do episódio que gerou a ação penal da Operação Cartas Marcadas, em que Fabris é suspeito de ter integrado esquema esquema de emissão fraudulenta de cartas de crédito, com desvios na ordem de R$ 418 milhões.

“Deputado Gilmar Fabris, você tem que escovar os dentes, você tem que lavar a boca, Gilmar Fabris, para falar dos médicos de Sorriso, para falar do povo de Sorriso, porque o maior ladrão do Estado de Mato Grosso, Gilmar Fabris, é você, Gilmar Fabris. Você sabe que você, junto com o Ministério Público, vocês venderam aquelas cartas que o Blairo Maggi passou aquelas cartas, e você xeroqueou aquelas cartas, mais o outro cidadão que está preso, o Eder [Moraes, ex-secretário], e venderam de novo aquelas cartas, e fizeram milhões junto com o Ministério Público e até hoje não tomaram providências. Têm vários processos contra você e você até hoje nunca foi preso, nunca foi exonerado do cargo, e você vir falar para os nossos médicos, que o nosso povo de Sorriso está mentindo”.

Ainda no vídeo, Junior Pé no Chão afirmou que a delação do ex-deputado José Riva iria colocar Fabris na cadeia, juntamente com outros parlamentares.

“Agora, vagabundo, sem-vergonha é você, viu deputado, porque você é safado. Você é tão safado que você pega o seu jatinho particular e vai dormir lá em Ribeirão Preto. Você não dorme em Cuiabá, você dorme em Ribeirão Preto. Você faliu, roubou o Estado, você vem há quase 40 anos roubando o Estado dentro da Assembleia Legislativa, junto com o Riva. Essa delação do Riva vai colocar você na cadeia agora, vai colocar você, vai colocar Mauro Savi, vai colocar Zé Domingos, porque nós temos dois deputados aqui e não presidente de bairro. Porque nós passamos dificuldades pela saúde. Então eu tenho que falar para você, Gilmar Fabris, lava essa boca, escova a sua boca para falar dos médicos de Sorriso. Quem ta falando é o Junior Pé no Chão, falando para você, porque eu conheço você pessoalmente, conheço você há mais de vinte anos que você vem legislando em Mato Grosso, mas é só roubando. Nunca vi você fazendo ação de coisa boa nenhuma para o Estado de Mato Grosso, é só roubando o Estado de Mato Grosso e fazendo crítica. Um cara igual você não era para estar na Assembleia Legislativa, um cara igual você era para estar na cadeia, com tanto roubo que você já roubou o Estado. É isso o que eu tenho que falar para você, Gilmar Fabris”.

“Barbaridades”

No processo, Fabris afirmou que em toda sua carreira política – iniciada em 1988 como vereador de Rondonópolis - nunca praticou qualquer tipo de conduta desonrosa, “uma vez que sempre trabalhou honestamente visando exclusivamente o interesse público”.

Apesar de alegar ter conduta ilibada, o parlamentar reclamou que Junior Pé no Chão gravou o vídeo dirigido a ele com várias expressões “caluniosas, difamatórias e injuriosas”.

“Verifica -se do vídeo gravado pelo requerido [...] que o mesmo por diversas vezes acusou o autor de ser o ‘maior ladrão do Estado de Mato Grosso’, o acusando inclusive de ter realizado ato criminoso em conluio com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso. Ora Excelência, que absurdo !!!”.

Fabris destacou que as acusações contra ele foram feitas sem prova alguma e por meio de vídeo espalhado no WhatsApp, “aplicativo onde as notícias se espalham rapidamente”.

“É possível verificar ainda da fala do réu, que por diversas vezes o mesmo agride a moral do autor, o chamando de ‘vagabundo’, ‘safado’, ‘sem vergonha’, além de acusar que o Autor arruinou a saúde pública na cidade de Sorriso, enquanto na verdade, o mesmo nunca sequer manteve qualquer contato com o autor”.

Para o deputado, é inaceitável que uma pessoa pública com conduta ilibada seja ridicularizada na internet.

“Sabe-se que o vídeo gravado pelo requerido ofendendo a honra do autor foi propagado via WhatsApp, aplicativo de mensagens que grande parte da população mundial possui acesso, razão pela qual não se pode mensurar a real extensão do dano sofrido”.

Segundo Fabris, o vídeo já está lhe causando “imensurável impacto negativo” e que tem sido xingando até na rua.

“Excelência, o autor é um Deputado Estadual, e qualquer acusação sem fundamento como as que foram feitas pelo réu, lhe causa impacto negativo e abalo moral. Sabe -se que após a gravação do vídeo feito pelo requerido, acusando o requerente de tantas atrocidades, o mesmo vem sofrendo constantes abalos emocionais, onde várias pessoas nas ruas o xingam, tomaram liberdade de lhe apontar em meio social e passam a duvidar de seu trabalho”.

Ele ainda ressaltou que o autor do vídeo não conhece seu trabalho, porém, mesmo assim, não mediu esforços para atingir sua “moral ilibada, sua honra, e seu trabalho para com a sociedade mato-grossense”.

“Posto isto, tendo em vista que o autor sofreu grande abalo emocional, vem o mesmo ao Poder Judiciário, buscar ser indenizado pelo dano que sofreu, uma vez que as alegações lançadas pelo requerido não passam de inverdades com o único intuito de desonrar o autor, enquanto exercente de cargo público estadual”, diz trecho da ação.