09/11/2017 09:45

Quantidade de visualizações: 198

Keka Werneck, especial para a Amazônia Real

Apesar do histórico de problemas socioambientais, o Ibama diz que concedeu a Licença de Operação por entender que as irregularidades não são graves Indígenas das etnias Kayabi, Munduruku e Apiaká, que vivem em aldeias banhadas pelo rio Teles Pires, pediram ao Ministério Público Federal (MPF) no Mato Grosso e no Pará uma ação na Justiça de suspensão da Licença de Operação (LO) da Usina Hidrelétrica São Manoel. A licença foi concedida no último dia 5 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com o licenciamento, a empresa que administra a usina poderá encher o reservatório.

Seis lideranças das três etnias Munduruku, Kayabi e Apiaká disseram à reportagem que vão a Brasília tratar do assunto com a Procuradoria Geral da República (PGR) e com a Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles afirmam que a hidrelétrica São Manoel é uma “grande ameaça” aos rios, florestas, animais, peixes e patrimônio histórico e cultural dos antepassados.

“Considerando as várias falhas que ainda têm que ser vistas e resolvidas antes de ser concedida a Licença de Operação, e que até o momento, a empresa não tem nenhuma estratégia para mitigar todos estes impactos, é evidente que essa decisão do Ibama foi equivocada. Sendo assim, solicitamos providências urgentes do MPF, no sentido de pedir na justiça a suspensão da LO de São Manoel, devido a sua ilegalidade e os riscos que estamos correndo com essa usina e outras barragens no rio Teles Pires”, disse em cartar enviada no dia 6 de setembro ao procurador da República Malê de Aragão, em Sinop (MT), a liderança da etnia Apiaká da Aldeia Mayrowi, Darlisson Apiaká.

Em outra carta protocolada no último dia 13 de setembro e endereçada aos procuradores Frazão, Felício Pontes, que atua no MPF de Belém, e Luís Camões Boaventura, de Santarém, ambas cidades do Pará, o Povo Munduruku afirma que uma grande parte do local sagrado, chamado de “Karobixexe”, está destruída pelas obras das hidrelétricas, além de São Manoel, a usina de Teles Pires.(Foto: Juliana Pesqueira/FTP)