24/10/2017 14:24

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G1


O governador Pedro Taques (PSDB) falou sobre o caso dos grampos, durante um evento no final de semana em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá. Taques declarou que não fez nada de errado e voltou a dizer que pediu para ser investigado pela suspeita do esquema. As interceptações clandestinas eram operadas por policiais militares e tiveram como alvo centenas de pessoas entre 2014 e 2015. O caso veio à tona em maio deste ano.

Taques também comentou sobre a confissão do cabo da PM, Gerson Correa Junior. O militar confessou à polícia a participação no esquema, detalhando como os grampos funcionavam e qual era o objetivo inicial: espionar coligações durante a campanha para o governo do estado em 2014.

De acordo com o depoimento de Gerson, o esquema foi financiado pelo advogado Paulo Taques, primo e então coordenador de campanha do governador Pedro Taques. O advogado Paulo Taques nega participação no esquema.

“Eu não fiz absolutamente nada errado e não mandei fazer nada errado. Não é do meu feitio. Sobre o que o cabo falou, isso faz parte da investigação”, comentou Pedro Taques.

Ele também lembrou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu um inquérito para investigar o suposto envolvimento dele com os grampos no governo do estado. “Confio no Poder Judiciário, o que eu tinha que fazer, eu fiz. Eu pedi para ser investigado, enquanto muitos querem fugir dessa investigação”, completou o governador.

No entanto, o delegado da Polícia Civil Flávio Stringueta, um dos responsáveis pelas investigações sobre os grampos, afirmou que as investigações mostram que o governador conhecia o esquema de interceptações clandestinas, que vigorou no governo do estado entre 2014 e 2015.

Denúncia de grampos

O promotor de Justiça Mauro Zaque denunciou à Procuradoria-Geral da República que avisou o governador Pedro Taques (PSDB) em outubro de 2015, quando comandou a Secretaria de Segurança Pública, o governador Pedro Taques sobre a existência de um "escritório clandestino de espionagem".

Em depoimento encaminhado à PGR, Zaque afirmou que em 2015, quando ainda estava no governo, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Taques. O promotor de Justiça afirma que levou o assunto ao governador e que este ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

Zaque afirma ainda ter avisado Taques por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o MPE, mas a investigação foi arquivada depois de cinco dias por falta de provas. O segundo, que o governador alega nunca ter recebido, foi protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontou auditoria da Controladoria Geral do Estado.