25/09/2017 08:01

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O "caçador de terremotos

MIDIANEWS





Duas cidades no interior de Mato Grosso registraram terremotos neste mês. O primeiro sismo ocorreu no dia 9, em Araguaiana (570 quilômetros de Cuiabá), com magnitude de 3.2 graus na escala Richter. Dois dias depois, Porto dos Gaúchos (474 quilômetros da Capital) teve um tremor de 2.1.

Em entrevista ao MidiaNews, o operador de áudio cuiabano Aroldo Maciel, de 44 anos, conhecido como "caçador de terremotos", afirmou que esses abalos são comuns no Estado. E, conforme ele, apesar do Brasil ser um País seguro em matéria de sismo, podem ocorrer outros tremores maiores na região Norte de Mato Grosso.

A probabilidade, segundo Maciel, é que um abalo atinja novamente a Serra do Tombador, a 100 km de Porto de Gaúchos, onde há mais de 60 anos foi registrado o maior terremoto em solo brasileiro, com magnitude de 6.5 graus.

“Quando acontece um abalo sísmico em uma determinada região, há probabilidade de acontecer outro ainda maior. Qualquer geólogo sabe que aquela região pode ter em algum momento outro abalo”, disse.

Aroldo Maciel orientou que as cidades próximas à serra comecem a pensar em construções anti-sísmicas.

“Porque se as cidades ali próximas forem crescendo, crescendo, vem um terremoto e pode matar centenas”, afirmou.

Diferente de Cuiabá - onde é quase um anônimo -, Maciel ganhou fama imensa no Chile desde 2012 por conseguiu antecipar – com antecedência de dias – a chegada de dez abalos sísmicos. Todos eles com magnitude acima de 6 graus. Além do Chile, conseguiu, segundo ele, antecipar tremores na Espanha, na Turquia, Equador e no Peru.

São mais de 200 mil seguidores no Instagram, entrevistas concedidas para quase todas as emissoras de TVs do País e até uma carta do ex-presidente Sebastián Piñera com agradecimentos pelos serviços prestados ao Chile.

Conforme Aroldo Maciel, os abalos sentidos no Estado foram resultado de um terremoto que ocorreu na Costa da Grécia, em julho, e segundo ele, está se dirigindo ao Sul do Chile.

A tese do operador de áudio é a de que terremotos geram outros terremotos. Eles caminham em linha reta de um ponto a outro, com intervalo de dias, dependendo da magnitude do evento.

Para prever o abalo, Aroldo Maciel faz uma conta entre o ponto do primeiro e segundo terremoto, divide o tempo entre eles pela distância e tem como resultado a velocidade do sismo.

“Aí eu sigo a linha e vou saber aproximadamente qual será o próximo evento”, explicou à reportagem.

A ideia surgiu após um churrasco entre amigos, em 2011. Na conversa, todos estavam arrasados com um terremoto que havia ocorrido no Japão com saldo de 20 mil vítimas.

“E naquele momento, eu questionei: Não é possível prever o terremoto? Todos responderam que não. Então, comecei a pesquisar sobre o assunto e, depois de mais de seis meses de estudo, descobri a existência de um padrão”, contou.