12/08/2017 08:39

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Folhamax

O Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, começou a revelar na noite de hoje trechos da colaboração premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) a Procuradoria Geral da República. Foi exibida uma reportagem de cerca de seis minutos em que Silval revelou que ele e ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP), pagaram R$ 6 milhões ao ex-secretário Éder de Moraes Dias para mudar a versão sobre um suposto acordo para compra de cadeiras no Tribunal de Contas do Estado.

Silval teve o acordo de colaboração premiada fechado na última quarta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux. Ele se comprometeu a devolver R$ 80 milhões ao erário público.

Ex-vice de Maggi entre 2007 e 2010, Silval Barbosa revelou o pagamento de uma propina milionária para Éder de Moraes mudar um depoimento dado ao Ministério Público Estadual e inocentar o atual ministro. Foi citado que inicialmente Éder denunciou Silval e Maggi sabiam de um esquema de compra de vagas no TCE e que o ex-secretário tinha o interesse em assumir uma das cadeiras.

Após o depoimento, Éder procurou Silval e Blairo exigindo R$ 12 milhões para isentar os dois políticos. Os dois aceitaram pagar R$ 6 milhões, que foram entregues em dinheiro vivo entre 2014 e 2015 ao ex-secretário R$ 3 milhões pelo ex-chefe de gabinete, Sílvio Cézar Correa, como intermediário de Silval, e outros R$ 3 milhões pelo empresário Gustavo Capilé, articulador de Maggi.

Éder, que está em liberdade apesar de 89 anos de condenações na "Operação Ararath", chegou a receber o dinheiro em sua casa. Silval ainda disse que pagou uma dívida de R$ 800 mil de Éder, que foi abatido no valor de R$ 3 milhões.

Éder acabou mudando a história. Em março de 2014, o ex-secretário disse que em 2009 falou com Maggi e Silval que desejava comprar uma vaga no TCE.

Já em janeiro de 2015, após os pagamentos, Éder deu uma entrevista a TV Centro América dizendo que havia mentido no depoimento anterior. "Eu estava extremamente tomado pela emoção por não ter sido atendido numa escolha para ocupar uma vaga. Praticamente, me nomearam e depois tiraram da vaga. Isto fez com que eu colocasse algumas palavras", declarou na retratação.

A mudança de versão foi um dos motivos que levaram a Procuradoria Geral da República a pedir o arquivamento de um inquérito contra Blairo Maggi no Supremo Tribunal Federal.. Em maio de 2016, o ministro do STF, Dias Toffoli, acabou encerrando as investigações.

A tendência é que o inquérito seja reaberto diante da mudança de versão comprada a base de propina. A Globo ainda lembrou que Maggi é investigado na "Operação Lava Jato" sob a suspeita de receber R$ 12 milhões em 2006 na sua campanha a reeleição ao Governo de Mato Grosso, de acordo com delatores da construtora Odebrechet.

Blairo Maggi disse que nunca deu autorização para qualquer ato ilícito e não fez pagamentos para Éder Moraes. "É uma mentira e vou usar todos meios legais para me defender", assinalou.

WELLIGTON E BEZERRA

A reportagem ainda apontou que Silval citou o repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) para que apoiasse uma candidatura a prefeitura de Cuiabá. Apesar de não citar a data, a tendência é que os recursos citados pela Rede Globo tenham sido destinados a campanha de Lúdio Cabral ao Alencastro, em 2012, quando o advogado Francisco Faiad (PMDB) foi vice na chapa.

Silval também apontou o pagamento de propina ao senador Wellington Fagundes (PR). O ex-governador autorizou o repasse de parte dos pagamentos de construtoras num programa de pavimentação ao parlamentar, além do pagamento ilegal de dívidas de campanha em 2014.

Bezerra disse que o pagamento de Silval não tem fundamento pelas doações para campanhas serem destinadas aos diretórios municipais. Já Wellington se limitou a dizer que todas doações recebidas foram legais.