08/05/2017 15:14

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Diário de Cuiabá


Cerca de 41 novas unidades de saúde que deveriam estar atendendo a população de Mato Grosso estão de portas fechadas. São 35 Unidades Básicas de Saúde e seis Unidades de Pronto Atendimento espalhadas pelo Estado. Os locais, construídos a partir de 2008 foram erguidos com verbas do Governo Federal, mas permanecem inutilizadas.

O levantamento traz a situação de centros de saúde de todo o Brasil e foi publicado no jornal Estado de S.Paulo na última sexta-feira. O balanço aponta que em todo o país 1.158 novas unidades paradas seguem sem destinação. Deste total 165 são Unidades de Pronto Atendimento e 993 Unidades Básicas de Saúde. Hoje no Brasil estão em atividade 538 UPAs (prontos-socorros) e cerca de 40 mil UBSs (postos de saúde).

Conforme levantamento do DataSUS, estão em operação em Mato Grosso 989 unidades de saúde básica, contabilizando postos (188), centros (771 mantidas com recursos exclusivos dos municípios) e polos de academia (30).

A publicação levantou ainda que se for levada em consideração que o custo unitário médio de construção de cada um desses tipos de estrutura, a estimativa é de que o Ministério da Saúde tenha gasto mais de R$ 1 bilhão com obras de serviços jamais inaugurados.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Saúde e do Meio Ambiente Oscarlino Alves considera como negativo o impacto trazido com as unidades paradas. Para ele, existe uma demanda reprimida em todo o país, com a oferta aquém da demanda. Somando a isso, os problemas já corriqueiros do Sistema Único de Saúde que martirizam ainda mais a área, como por exemplo, a tabela do SUS defasada.

“As próprias unidades do Estado que já estão em funcionamento estão sucateadas, faltam medicamentos, insumos. Fora que essas unidades que estão paradas, que foram inauguradas mais continuam fechadas trazem um custo muito caro para população”, afirma Oscarlino.

O próprio Ministério da Saúde reconheceu o problema das obras prontas e fechadas. Para o Ministério não houve um planejamento. Além das UPAs e das UBSs fechadas, há equipamentos novos encaixotados e hospitais sem funcionar.

Área sofrida – Levantamento do Tribunal de Contas do Estado sobre obras paralisadas comprova que uma das áreas que mais concentram obras paradas é a área de saúde. Cuiabá que acaba sendo a porta de entrada para muitos municípios quando se fala em saúde pública já concentra 29 obras paradas segundo Geo-Obras do TCE. Entre elas 18 novas construções, seis reformas, entre outros. Desde unidades básicas de saúde até unidades de pronto atendimento. Em Várzea Grande obras de 13 postos de saúde seguem paradas, 12 delas são novas construções. No caso de Várzea Grande a Secretaria Municipal de Saúde afirma que a paralisação seguiu recomendação do Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da Unia devido irregularidades nas obras.

“Temos exemplos claros de obras paradas como as UPAs, o novo pronto socorro de Cuiabá que está com cronograma atrasado. Além do Hospital Júlio Müller que tem o dinheiro na conta e a obra está parada. Temos o Hospital Central que entra governo sai governo continua na mesma e até não atende mais ao que foi planejado. São situações lamentáveis”, disse o presidente do SISMA, Oscarlino Alves.