29/03/2017 15:46

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Gazeta Digital


A morte de um funcionário dos Correios de Mato Grosso, afetado por fungo de pombo, no último domingo (26), é alerta para quem mora ou trabalha próximo desse animal.

Celso Luis Gomes, 43, trabalhava há 23 anos na Central de Distribuição do Correios, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, em um prédio "tomado" por pombos.

Primeira vez que ele passou mal foi em fevereiro, sentindo fortes dores de cabeça. Análise do líquor comprovou a presença de fungo de pombo.

Líquor é o líquido cerebral que tem a função de proteger o sistema nervoso central. Uma vez infectado, isso pode ser fatal ou deixar sequelas.

Com a morte dele não apenas os colegas de trabalho estão alarmados, tanto é que entraram em greve, quanto a população de Cuiabá, já que pombos estão presentes em diversos pontos da cidade. Um deles é a praça Alencastro, no "coração" da capital.

Apesar de parecer inofensivos, os pombos transmitem diversas doenças aos seres humanos. A mais grave delas é a criptococose.

A suspeita é a de que Celso Luis tenha morrido disso.

Informações médicas são de que 30% dos casos registrados terminam assim.

Quem passou por isso e sobreviveu para contar é o psicólogo aposentado Roberto Sebastião Rachid da Costa, 65. Há 10 anos, ele teve criptococose. "Já tive essa doença terrível", diz ele.

Trabalhou por 36 anos no Complexo do Pomeri, onde cumprem medida socioeducativa adolescentes infratores menores de 18 anos.

"Lá tinha pombo demais, ainda tem, e doença de pombo é gravíssima", ressalta.

Quando começou a passar mal, os primeiros sintomas foram fortes dores de cabeça. "Tive também febre, prostração, mal estar, fiquei dois meses internado em Cuiabá, me trataram como dengue, virose, mas não sarava, fiz exames e constataram a doença. Fui a São Paulo e o médico que me atendeu refez os exames. Ele me assustou quando disse: você não tem condições de voltar, tem que ficar internado aqui, senão vai a óbito", lembra Roberto.

No Hospital Sírio-Libanês, um dos melhores do país, constataram que vírus transmitido por pombo fez casulo no pulmão dele. Passou por cirurgia e se salvou sem sequelas. Caso raro.

Na época que adoeceu, apurou que dos 19 casos registrados em Cuiabá, 16 morreram, um ficou totalmente cego e sobre um ele não conseguiu notícias. "Que eu saiba, somente eu fiquei bom".

O neurologista José Alexandre Borges, que atua em Cuiabá, explica que a criptococose é um tipo gravíssimo de meningite.

Segundo ele, os casos não são tão comuns, mas todos eles exigem tratamento rápido e adequado.

"Essas doenças são muito graves, já perdi vários pacientes assim. Se não tratar adequadamente e mesmo as vezes tratando adequadamente, pelas complicações na meningite, a previsão de morte é alta", alerta o médico.

Ele orienta a não ficar próximo de pombos e explica que estão no grupo de maior risco as pessoas com sistema imunológico frágil, portadores do HIV, quem toma alguma medicação forte, como a base de corticóide.

Outras doenças de pombo

Além da criptococose, os fungos das fezes dos pombos também transmitem a histoplasmose. Trata-se de uma micose muito profunda que chega a afetar os órgãos internos da vítima.

Já a salmonelose tem sintomas de uma intoxicação alimentar, principalmente de carne contaminada.

Causa diarreia e outras dores abdominais.

Os pombos causam também dermatites, cujos sintomas são coceira, infecções e até se transformam em alergias que afetam o sistema respiratório.