01/02/2017 11:28

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Tâmara Figueiredo

O médico neurocirurgião do Hospital Regional de Sorriso, doutor Fernando Zuniga denunciou por meio de uma carta aberta divulgada em redes sociais como o Facebook e sites locais sobre irregularidades que estão comprometendo os trabalhos de neurocirurgia na unidade hospitalar.

Segundo a carta, há insuficiência de pessoal tanto em número como em qualificação; falta de equipamentos, uso de materiais sucateados; inadequação e insegurança no funcionamento e garantia de materiais na central de esterilização.

O documento, segundo o neurocirurgião, foi protocolado junto à Direção Geral do Hospital Regional, com cópias para as direções Técnica e Clinica, denunciando os graves problemas que estão sendo enfrentados no setor de neurocirurgia e relata que não há mais condições de continuar os serviços nas mesmas condições.

No documento, o médico relata ainda que na data de (31/01), esgotou-se todo o estoque de material para hemostasia cerebral (surgicel) e que diante disso, não existe mais capacidade de efetuar procedimentos neurológicos na unidade, podendo inclusive causar piora do estado neurológico ou até morte do paciente.

O hospital não tem mais condições de receber pacientes poli traumatizados, conforme relato do neurocirurgião, que orientou que a direção do hospital comunique os pacientes que estão internados e que necessitem de procedimentos neurocirúrgicos, que tais intervenções não serão mais realizadas.

Confira o conteúdo da Carta Informativa

CARTA INFORMATIVA
Iniciamos o serviço de neurocirurgia no HOSPITAL REGIONAL DE SORRISO (HRS) em outubro de 2014, no inicio daquele período, realizamos cirurgias de alta complexidade e elevado grau de dificuldade, que trouxeram imenso orgulho e satisfação para nossa equipe.
Mas é com frustração, muita tristeza e sobretudo constrangimento que relatamos a realidade que enfrentamos nos últimos meses. Atualmente, o Hospital Regional de Sorriso não apresenta as condições mínimas necessárias para uma prática de medicina digna e segura.

- Faltam pessoas em numero e qualificação em todos os segmentos do hospital.

- UTI e PRONTO SOCORRO com falta de monitores e equipamentos.

- Centro cirúrgico sucateado (mesas, materiais , iluminação. . . .
- Irregularidade e descontinuidade no controle de higiene em todo o hospital.

- Serviço de esterilização sem profissionais qualificados e com equipamentos ultrapassados operando de forma não recomendada.

- Prestadores de serviços e fornecedores que suspenderam a relação comercial com a instituição devido a falta de pagamento.

As consequências de toda essa desordem, culminam em:

- Redução do numero e da qualidade do serviço prestado

- Aumento alarmante do índice de infecção hospitalar, causando:
Prejuízo da qualidade no resultado final do tratamento
Prolongamento do tempo de internação e de sofrimento
Aumento dos riscos de outras complicações graves, inclusive morte.

Não compactuamos com esta realidade, guardamos sempre a esperança de melhora, de poder voltar a oferecer uma medicina no mínimo decente e segura para quem precisa, mas colhemos apenas promessas sem resultados.

Não aceitamos a ideia de que, por sermos de uma cidade do interior do Mato Grosso, devemos realizar uma medicina medíocre, ultrapassada e desumana.

Todo nosso conhecimento e tempo são dedicados numa luta constante na preservação da vida, e quando não é possível, temos a obrigação de garantir a dignidade e o alívio da dor.

Colocamos aqui, para conhecimento de todos que atualmente o HOSPITAL REGIONAL DE SORRISO, traz muito mais risco que beneficio para os seus usuários, que esperam um tratamento médico adequado.

Se a responsabilidade desta triste e lamentável situação é do município, ou do estado ou simplesmente das grandes autoridades que assim nomeiam de “crise ? ? ?”, eu não sei dizer. . . . a única certeza que tenho, é de quem esta pagando por ela. . . . o Humilde que não tem outra opção de tratamento.

. . . . o que preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio do dos bons. . . .

SORRISO, 30 de Janeiro de 2017

FERNANDO ZÚNIGA Neurocirurgia