26/10/2015 15:50

Quantidade de visualizações: 1893

Redação

Confira a crônica desta semana lida no Programa A Voz do Povo, nesta segunda-feira 26/10. A crônica intitulada "O Menino e a Cicatriz", de autoria desconhecida, na interpretação da jornalista Tâmara Figueiredo.


O texto nos remete a uma reflexão sobre os pré-julgamentos que são feitos e que podem gerar repulsas, mas ao saber o real motivo da cicatriz, a pessoa passa a ser respeitada.


confira aqui o aúdio da crônica.



Mensagem: O Menino e a Cicatriz:


Um menino tinha uma cicatriz no rosto e os colegas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado; na realidade, quando os colegas o viam franziam a testa devido à cicatriz ser muito feia. Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio. O professor levou o caso à diretoria. A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão: Que não poderia tirar o menino do colégio e que conversaria com o menino e ele seria o ultimo a entrar em sala de aula e o primeiro a sair.


Desta forma nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhasse para trás. O professor achou magnífica a ideia da diretoria; sabia que os alunos não olhariam mais para trás. Levada ao conhecimento do menino a decisão, ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição: Que ele comparecesse na frente dos alunos em sala de aula para dizer o porquê daquela CICATRIZ. A turma concordou e, no dia, o menino entrou em sala, dirigiu-se a frente da sala de aula e começou a relatar: Sabe, turma, eu entendo vocês; na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri: Minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa passava roupa para fora; eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade... A turma estava em silêncio atenta a tudo. O menino continuou: além de mim, havia mais 3 irmãozinhos: um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida. Silêncio total em sala. ... Foi aí que, não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira, começou a pegar fogo; minha mãe correu até o quarto em que estávamos, pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora, havia muita fumaça e as paredes que eram de madeira pegavam fogo e estava muito quente... Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois tinha que voltar para pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chamas. Só que quando minha mãe tentou entrar na casa as pessoas que estavam ali não a deixaram buscar minha irmãzinha. Eu via minha mãe gritar: minha filhinha estar lá dentro! Vi no rosto de minha mãe o desespero, ela gritava, mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha... Foi aí que decidi. Peguei meu irmão de dois anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar. Saí entre as pessoas e quando perceberam já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha. Eu sabia o quarto em que ela estava. Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito... Neste momento, vi caindo alguma coisa; então me joguei em cima dela para protegê-la e aquela coisa quente encostou-se em meu rosto... A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada; então o menino continuou: Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha, beija porque sabe que é marca de AMOR.