12/10/2015 12:40

Quantidade de visualizações: 772

Tâmara Figueiredo

Todas as semanas na abertura do programa "A Voz do Povo", trazemos o quadro "Crônica da Semana", com apresentação de Tâmara Figueiredo.


Nesta segunda-feira, dia 12 de outubro, Dia da Criança e se aproximando também do Dia do Professor, comemorado em 15 de outubro, trouxemos uma crônica que traz a figura da professora, chamando a atenção para o papel do professor e também da criança, para lembrar os pais para sobre uma situação: em tempos de alto consumismo, mais importante que dar presentes, é proporcionar a sua presença, é dar a atenção necessária e o carinho que nossos filhos merecem. E também para que evitemos atitudes agressivas ou desinteressadas que possam desistimular as crianças ao estudo.

A crônica escolhida, enviada por uma ouvinte, a Sula, do bairro Jardim Amazônia, é "Boletim Escolar", de autoria desconhecida.

Ouça o áudio clique aqui.



Confira também o texto na íntegra:


Boletim escolar.


Era quarta-feira, 8:00 hs. Cheguei a tempo na escola do meu filho –"Não se esqueçam de vir à reunião de amanhã, é obrigatória" – Foi o que a professora tinha dito o dia anterior.

-"Que é o que essa professora pensa! Acha que podemos dispor facilmente do tempo que ela diz? Se ela soubesse quanto era importante a reunião que eu tinha as 8:30!" Dela dependia uma boa negociação e... tive que cancela-la!


Lá estávamos nós, mães e pais, e a professora começou a tempo, agradeceu nossa presença e começou a falar. Não lembro que ela dizia, minha mente estava pensando em como ia resolver aquele negocio tão importante, já imaginava comprando aquela televisão nova com o dinheiro.

"João Rodrigues!" – escute desde longe – "Não está o pai de João?" – diz a professora.

"Sim, eu estou aqui" – contestei indo para receber o boletim escolar do meu filho.


Voltei pro meu lugar e olhei. –"Para isso foi que eu vim? Que é isso?" O boletim estava cheio de seis e setes. Guardei rapidamente, para que ninguém veja como tinha se saído meu filho.

De volta pra casa ia aumentando ainda mais minha raiva, cada vez que pensava:

"Mas, se eu dou tudo pra ele, não tem faltando nada! Agora ele vai ver!" Cheguei, entrei a casa, fechei a porta de uma batida e gritei: "Vem aqui João!"


João estava no quintal, correu para abraçar-me. –"Papai!" – "Nada de papai!" o afastei de mim, tirei o meu cinturão e não lembro quantas vezes bati ao mesmo tempo em que falava o que pensava dele. – "Agora vai pro teu quarto!"

João foi chorando, sua face estava vermelha e a sua boca tremia.


Minha esposa não falou nada, só mexeu a cabeça num gesto de negação e entrou na cozinha.

Quando fui para cama, já mais tranquilo, minha esposa me entregou o boletim do João, que tinha ficado dentro do meu casaco, e diz:

- "Leia devagar e depois pense numa decisão..."


Bem no começo estava escrito: BOLETIM DO PAPAI.


Pelo tempo que teu pai dedica para uma conversa contigo antes de dormir: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para brincar contigo: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te ajuda com as tarefas: 6

Pelo tempo que teu pai dedica par te levar de passeio com a família: 7

Pelo tempo que teu pai dedica para te ler um livro antes de dormir: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te abraçar e te beijar: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para assistir televisão contigo: 7

Pelo tempo que teu pai dedica para escutar tuas dúvidas ou problemas: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te ensinar coisas: 7


Média: 6,33


As crianças tinham qualificado aos pais. O meu deu para mim 6 e 7 (sinceramente eu tinha merecido 5 ou menos) Me levantei e corri para o quarto dele, o abracei e chorei. Teria gostado voltar no tempo... mas isso não é possível. João abriu os olhos, ainda com os olhos inchados pelas lágrimas, sorriu, e me abraçou e disse: - "Eu te amo papai!" Fechou os olhos e dormiu.

Autor desconhecido.


Acordemos pais! Aprendamos a dar o valor certo a aquilo que é mais importante em relação aos nossos filhos, já que disso depende o sucesso ou fracasso na suas vidas.

Já pensou qual seria a ´nota´ que seu filho daria para você hoje?