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Vai piorar: O novo relatório sobre mudanças climáticas da ONU mostra que o planeta está ficando cada vez mais quente. Saiba as consequências disso para o Brasil

07/04/2014 12:32
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Revista Istoé

O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, mais conhecido  por sua sigla em inglês – IPCC –, traz notícias pouco animadoras sobre o futuro do planeta. O  documento, divulgado na segunda-feira 31 em Yokohama, no Japão, não só confirma que o  aquecimento global está impactando cada vez mais a vida dos seres humanos na Terra como
também faz previsões alarmantes sobre o futuro.


Para os cientistas que redigiram a versão final do  5º Relatório de Avaliação do IPCC, o aumento da temperatura global irá produzir fome, ondas  migratórias e conflitos por todo o mundo nas décadas seguintes, se nada for feito para reduzir as  emissões de carbono, o principal causador do aquecimento. “Ninguém neste planeta ficará imune  aos impactos das mudanças climáticas”, afirmou Rajendra Pachauri, presidente do IPCC.

DESERTO
O Nordeste do País é uma das regiões afetadas pelo aquecimento global  
Apesar de os impactos serem globais, eles não serão homogêneos, ao menos na opinião dos  pesquisadores que produziram o documento. A tendência é de que as regiões mais pobres do  planeta sejam as mais afetadas, em especial as áreas tropicais de baixa latitude.


No Brasil isso  significa que o Nordeste e a Amazônia, áreas que concentram uma parcela significativa das populações mais pobres do País, sejam os mais impactados. No mundo, a expectativa é de que  países do centro da África e de parte do Sudeste Asiático sejam os mais afetados pelos reflexos do aquecimento, por conta de secas mais prolongadas ou em razão de estações de chuvas mais  concentradas. “Na mudança climática, aqueles que criam o problema nem sempre são os que sentem os seus impactos”, diz José Marengo, cientista do Instituto Nacional de Estudos Espaciais  (Inpe) e representante do Brasil na elaboração do relatório.  


Marengo refere-se ao fato de as regiões mais afetadas pelo aquecimento não serem as que mais  produzem CO2, como no Nordeste brasileiro, por exemplo. Mesmo com o processo de interiorização da economia brasileira, a região ainda é essencialmente rural e com um número  elevado de pequenos agricultores e pecuaristas que produzem primordialmente para consumo  próprio e vendem o excedente. A produção de CO2 no Nordeste é infinitamente inferior àquela
registrada em regiões industriais da China ou em grandes cidades dos Estados Unidos, por exemplo,  que não sofrerão os impactos na mesma intensidade.


POLUIÇÃO

  

Redução na emissão de gases de efeito estufa é a única maneira eficaz de mitigar os impactos do  aquecimento global No Nordeste brasileiro o temor é de que a crise hídrica, que afeta a região há séculos, seja ainda  mais acentuada. Hoje o sertão nordestino vive uma das piores secas de sua história e a ampliação  do quadro de falta de chuvas poderia tornar a área que abriga mais de 15 milhões de pessoas em  condições muito difíceis de ser habitada. O temor é de que o semi-deserto do sertão se transforme  em um grande deserto. “Esse é um problema com vários componentes, não só a chuva, vale
destacar”, diz Marenco.


“A má utilização do solo e a consequente redução na capacidade de  produção de alimentos para pessoas e animais podem vir a gerar uma nova migração em massa.”


Distante alguns milhares de quilômetros, a Amazônia é outro ecossistema brasileiro extremamente  sensível às variações climáticas. Mesmo com a cheia recorde do rio Madeira, que isola o Acre e  transformou parte do centro antigo de Porto Velho no leito do rio, a tendência, dizem os cientistas,  é de que o ciclo de chuvas na região seja afetado pelo desmatamento que devasta a floresta.


Poucas regiões do planeta registram uma correlação tão clara e tão imediata entre o clima e a  vegetação quanto a Amazônia. E se faltar chuva no Norte do País a tendência é de que haja também  falta de chuva nas regiões Sul e Sudeste, que dependem diretamente da umidade produzida na
Região Amazônica para regular os períodos de chuva.

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